A inteligência artificial deixou de ser promessa no setor de eventos. Segundo o Índice de Maturidade Digital e de Inteligência Artificial no Setor de Eventos (IMD 2025), desenvolvido por ABRAPE e Peppow, 79,7% dos profissionais do setor já usam IA de forma prática. O número impressiona, mas esconde um detalhe que separa quem fala de IA de quem realmente extrai valor dela.
A maior parte desse uso está concentrada em um só lugar: a criação de conteúdo. Texto de divulgação, post de redes sociais, roteiro de e-mail. É útil, mas periférico. Apenas 21,6% aplicam inteligência artificial em precificação e orçamentos, justamente onde estão as maiores dores de margem. E quase ninguém usa IA onde ela teria o maior impacto sobre o resultado do evento: a experiência de quem está lá dentro.
O paradoxo da IA "de vitrine"
É um paradoxo conhecido. As empresas querem parecer digitais, investem em ferramentas e anunciam que usam IA. Na prática, porém, a tecnologia raramente toca o coração da operação. O evento continua sendo conduzido no improviso, com mapas impressos, filas no balcão de informação e pesquisa de satisfação que só chega dias depois, quando já não dá para corrigir nada.
Enquanto isso, o setor cresce e cobra mais sofisticação. Dados do DataEventos, da MeEventos, mostram que o mercado corporativo teve alta de 19,98% no número de eventos realizados em 2025, com aumento de 38% no volume de propostas comerciais. Mais eventos, mais investimento, mais expectativa. E uma experiência de visitante que, na maioria dos casos, segue parada no tempo.
Onde a IA realmente muda o jogo
O valor da inteligência artificial em um evento não está em escrever o convite. Está em transformar cada interação do visitante em orientação imediata e em dado estruturado para quem organiza. Isso acontece em duas frentes que andam juntas:
- Para o visitante: um guia inteligente que responde na hora onde fica o estande, qual palestra começa agora, onde comer e como se locomover, sem aplicativo para baixar, direto no celular que ele já tem na mão.
- Para o organizador: um painel em tempo real com fluxos por hora e por local, NPS ao vivo e os temas que o público mais pergunta. Informação para decidir ainda durante o evento, e não depois.
É a diferença entre usar IA para produzir mais material e usar IA para mudar o que acontece no pavilhão. Uma enche a caixa de entrada. A outra muda o resultado do dia.
Maturidade não é tamanho, é integração
O IMD 2025 traz uma conclusão que vale para qualquer organizador: o tamanho da empresa não é o principal fator de maturidade digital. Existem operações pequenas mais bem integradas do que grandes players. O que diferencia é a capacidade de transformar conversas em dados estruturados e decisões em processos repetíveis.
Ou seja, não se trata de ter uma IA qualquer. Trata-se de colocá-la no ponto onde ela conecta a experiência do público com a inteligência do negócio. Quando cada conversa do visitante vira número no painel, o evento deixa de ser um salto no escuro e passa a ser gerenciável em tempo real.
O próximo passo não é usar mais IA, é usá-la onde importa
Se 79,7% do setor já usa inteligência artificial, a vantagem competitiva não está mais em adotá-la. Está em direcioná-la para o lugar certo. A pergunta que separa os eventos de 2026 não é se você usa IA. É se a sua IA melhora a experiência de quem está no evento e gera dados que você aproveita antes de o evento terminar.
Na Tech For Us é exatamente nesse ponto que atuamos: transformar o celular do visitante em um guia inteligente e cada conversa em insight estratégico em tempo real. Porque IA que funciona não é a que aparece na vitrine. É a que muda o número no fim do dia.

